segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Us , always .


"Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são só um princípio - nem sequer o principio. Porque no amor os princípios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para lá dela. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência, tudo. Falámos demasiado para que eu recorde do que falámos. Vivemos demasiadas vidas para que eu as possa separar. Para que eu me possa separar de ti. O teu rosto surge esculpido em todos os outros rostos que vejo. "

Amo-te

domingo, 1 de novembro de 2009

chuva,


Hoje , quando percebi que estava a chover corri para a janela do meu quarto e observei todas as gostas de agua que abraçavam o vidro .
Deu-me uma vontade enorme de correr para a chuva , sem qualquer protecção , apenas com a roupa que vestira minutos antes . Tinha vontade de dançar , de cantar de saltar e ate de gritar com a chuva a cair em cima do meu corpo e com o vento a fazer o meu cabelo voar . Não pensando duas vezes , corri para a porta da rua .
Olhei para o céu , e as primeiras gotas de agua começaram a cobrir-me o rosto . O Vento soprava como previra , e levava com ele os meus pensamentos . Levava-os para longe . Levava-os ate ti . No fundo , acho que nunca daí saíram .
As recordações envolveram a minha mente . Boas recordações .
Comecei a dançar , não sozinha . Tu estavas lá , agarrado a mim , com os teus pés de baixo dos meus , a guiar-me . Olhavas-me nos olhos , sorrias-me e acariciavas-me o rosto . Nós , estávamos ali . Depois de todo o tempo que passou , tu voltaste , nós voltamos , tudo o que tivéramos voltou . Sem pensar no que se iria passar na hora , no dia , no mês seguinte , continuamos a dançar .
A chuva tornou-se mais forte , e nós começamos a cantar também , cantávamos letras trocadas , ritmos fora de sitio , mas não nos importávamos e rimo-nos tanto disso , que as dores de barriga de antes , voltaram . Pegavas em mim como nós filmes , e beijavamo-nos .
Eu estava tão feliz que não conseguia parar de sorrir ao olhar para ti , como sempre acontecia . E tu também o fazias , também estavas feliz , tal como estavas semanas antes ...
Então , a chuva acalmou . O céu começou abrir , e por conseguinte o sol deu cor ao que antes era cinzento . Olhei-te , não por medo , mas por habito . Para meu espanto tu não me olhavas , em vez disso olhavas em frente , sem observar de facto coisa alguma, e ao ver o teu rosto , a confusão apoderou-se de mim , estavas com uma expressão de medo , de angustia . Não disse nada , nem perguntei nada . Conhecia-te suficientemente bem para saber que naquele momento apenas o silencio poderia clarear tudo , e assim ficamos durante poucos segundos , ate que tu levantaste o meu queixo , observaste a minha expressão :
" Chegou a hora , não posso ficar mais . Tu vais ficar bem , és forte . És a mulher da minha vida . Serás sempre o meu melhor . Amo-te "
Não disse nada , na verdade não conseguia dizer fosse o que fosse . Tinha a garganta seca , e por mais que tentasse a voz não saía . Levantaste , deste-me um leve beijo , e foste embora .
Fraca como sou , não tive forças para correr atrás de ti , nem sequer para te dizer um "adeus" ou para perguntar o porquê de tudo aquilo .
Mantive-me ali , no meio da rua a fitar o chão , com o rosto coberto de lagrimas, sozinha ... arrepiei , tremi , doeu , chorei ... Voltei a olhar para onde tinhas seguido , mas já não havia rasto de ti , desapareceste .

Tudo não passou de um sonho , e o pesadelo voltou ... para ficar .
Amo-te



sábado, 5 de setembro de 2009

Como uma pedra , fria , vazia e esquecida .

Sentada neste banco , nesta rua , o vento passa por mim , mas não o sinto . Aliás já não sou capaz de sentir seja o que for.

Estou dentro de uma esfera incolor . Esfera essa que foi construída por mim , para minha própria protecção. Construía no intuito de me proteger de tudo o que me possa magoar . De tudo que me possa tirar as forças , outra vez . As lembranças assombram-me a toda a hora . Sei que não existe esfera que as possa destruir , ou simplesmente , esquecer . Isso revolta-me , tudo me revolta .
Não estas aqui , mas é como se estivesses . Não nos vemos à dias mas é como se te visse sempre que fecho os olhos .
O facto de não te conseguir destruir , apagar , tira-me as forças . Faz-me querer ficar assim , esquecida para sempre . Por ti , ou pela tua ausência , tornei-me como uma pedra , vazia e fria .
Os medos , sim os medos que me atormentavam todas as manhãs desapareceram , mas com o seu desaparecimento voltou um medo mais forte que todos . Temo não conseguir libertar-me, não conseguir voltar a preencher -me .
Assusta-me pensar que posso não conseguir sentir mais o vento embrenhar-se no meu cabelo fazendo-me voar , em pensamento ....




Nota : desculpem as ideias confusas . é assim que me sinto . confusa .